4º Diálogo sobre RPPNs em MS: Wetlands International Brasil e Mupan apresentam o potencial dos créditos de biodiversidade
A Wetlands International Brasil e a Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal participaram, no dia 30 de janeiro, do 4º Diálogo com a Comunidade: RPPNs de Mato Grosso do Sul, evento realizado em Campo Grande (MS) pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), a RPPN Ernesto Vargas Baptista e o Governo do Estado.
Com o tema “Os desafios para a sustentabilidade das RPPNs em MS”, o encontro reuniu gestores públicos, proprietários de reservas, pesquisadores, organizações da sociedade civil e a comunidade em geral para discutir caminhos concretos para fortalecer a gestão, a conservação e a sustentabilidade financeira das Reservas Particulares do Patrimônio Natural no estado.
A coordenadora de projetos da Wetlands International Brasil e da Mupan, Letícia Larcher, foi uma das painelistas do painel “Oportunidades do mercado associado aos recursos naturais em RPPNs: carbono e biodiversidade”, no qual apresentou uma análise crítica e aplicada sobre o potencial e os limites dos mercados de créditos ambientais como ferramentas de apoio à conservação em áreas protegidas privadas.

Durante sua fala, Letícia destacou que as RPPNs prestam serviços ecossistêmicos essenciais à sociedade, como a conservação da biodiversidade, a proteção de recursos hídricos e a mitigação das mudanças climáticas, mas seguem enfrentando desafios significativos para viabilizar financeiramente sua gestão de longo prazo. Nesse contexto, ela abordou as diferenças entre os créditos de carbono e os créditos de biodiversidade, ressaltando que, embora o mercado de carbono seja mais maduro, ele nem sempre é acessível ou viável para RPPNs de menor escala.
Segundo Letícia, os créditos de biodiversidade surgem como uma alternativa promissora para áreas protegidas privadas, por serem mais adaptáveis a territórios menores e por valorizarem diretamente a melhoria e a manutenção da saúde dos ecossistemas. Ela explicou que esses créditos se baseiam em evidências de ganhos reais para a biodiversidade, como conectividade ecológica, integridade do habitat e presença de espécies indicadoras, e podem gerar recursos para proprietários que atuam voluntariamente na conservação.
A apresentação também trouxe exemplos práticos da experiência no Pantanal, incluindo projetos piloto desenvolvidos na região da Serra do Amolar e estudos de viabilidade para aplicação de créditos de biodiversidade em unidades de conservação estaduais e RPPNs, reforçando o potencial dessas ferramentas para apoiar a gestão territorial, subsidiar políticas públicas e fortalecer corredores ecológicos.
Para Letícia, embora esses mercados ainda estejam em fase de consolidação, eles representam um caminho possível para reconhecer e remunerar quem conserva a natureza. “As RPPNs já prestam um serviço fundamental à sociedade. O desafio é construir mecanismos que permitam transformar esse valor ambiental em sustentabilidade financeira, de forma transparente, justa e conectada ao território”, destacou.
A participação da Wetlands International Brasil e da Mupan no evento reforça o compromisso das organizações com o fortalecimento das RPPNs, a promoção de soluções baseadas na natureza e o apoio a instrumentos inovadores que contribuam para a conservação da biodiversidade e a resiliência climática em Mato Grosso do Sul e no Pantanal.