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O que as áreas úmidas podem fazer #AgoraPeloClima? 

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No dia 5 de junho celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente ao lado do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), reforçando uma mensagem urgente: 

O planeta não discute. Não negocia. Ele envia sinais — aumento do nível do mar, incêndios florestais mais intensos, ondas de calor, derretimento de geleiras. 

Dissemos que 1,5°C era o limite. Estamos ultrapassando esse limite. 

Durante décadas, o mundo ouviu a narrativa das mudanças climáticas — alertas, metas e prazos distantes. Muitas vezes, as respostas se perderam em meio ao ruído: adiamentos, distrações e negação. 

Mas, se prestarmos mais atenção, outro sinal está surgindo. Painéis solares ocupam telhados. Turbinas eólicas se espalham pelo horizonte. Cidades estão sendo redesenhadas para as pessoas. Florestas estão sendo restauradas. Soluções climáticas estão ganhando espaço em todos os cantos do planeta.
 

Áreas úmidas no centro das mudanças climáticas 

Mudança climática é, também, mudança no ciclo da água. O aumento das temperaturas tem provocado padrões irregulares de chuva, enchentes, secas e incêndios florestais. 

Quase toda a água doce disponível no planeta depende de áreas úmidas, como rios, lagos e turfeiras. Esses ecossistemas desempenham papel fundamental na purificação da água, armazenamento hídrico, controle de enchentes e recarga dos aquíferos. As áreas úmidas são tão centrais para o ciclo da água que um mundo sem áreas úmidas seria um mundo sem água doce. 

Mas represamos rios, drenamos e degradamos turfeiras, poluímos lagos e destruímos manguezais. 

As consequências já são evidentes. Apenas no último ano, secas no Irã, enchentes na Índia e no Reino Unido, além do aumento das emissões de carbono na China e no Canadá, podem ser associadas à perda de áreas úmidas. 

Ao mesmo tempo, esses ecossistemas oferecem algumas das soluções mais eficazes para enfrentar a crise climática. 

Áreas úmidas para mitigação 

As áreas úmidas estão entre os armazenadores naturais de carbono mais eficientes do planeta, sendo essenciais para mitigar, interromper e reverter as mudanças climáticas. 

Áreas úmidas para adaptação 

Em todo o mundo, as áreas úmidas ajudam comunidades a enfrentar os impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas, como enchentes e secas mais frequentes e intensas. 

  • Os manguezais absorvem e dissipam a energia das ondas, protegendo comunidades costeiras contra tempestades e reduzindo os impactos da elevação do nível do mar. 
  • Turfeiras, planícies de inundação e outros tipos de áreas úmidas funcionam como esponjas naturais, absorvendo o excesso de água durante períodos chuvosos e liberando-a gradualmente durante as secas. 

Áreas úmidas para resiliência 

As áreas úmidas sustentam sociedades resilientes há milênios. As primeiras grandes civilizações surgiram em planícies de inundação férteis, como as dos rios Nilo, no Egito; Indo, no sul da Ásia; Tigre e Eufrates, no Oriente Médio; e Huang He, na China. Até hoje, muitas das maiores cidades do mundo estão localizadas às margens de rios, como Londres, Kolkata e Chicago. As áreas úmidas fornecem água limpa, solos férteis e habitat para uma enorme diversidade de plantas e animais. O valor econômico estimado dos ecossistemas de água doce e recursos hídricos chega a US$ 58 trilhões por ano — equivalente a cerca de 60% do PIB global. A saúde desses ecossistemas reflete diretamente a nossa própria saúde. 

Quem precisa agir? 

A Wetlands International trabalha na restauração de turfeiras degradadas em países como Mongólia e Peru; na restauração ecológica de manguezais baseada nas comunidades em locais como Guiné-Bissau, Quênia, Senegal, Filipinas e Indonésia; e no fortalecimento da segurança hídrica em países como Etiópia, Brasil, Argentina e diversas regiões da Europa

Mas não podemos transformar o mundo sozinhos. Estamos aqui para colaborar, construir parcerias e ampliar impactos. Alguns setores possuem especial capacidade — e responsabilidade — para promover mudanças. 

Governos: A inclusão das áreas úmidas nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e nos Planos Nacionais de Adaptação (NAPs) é fundamental. A Wetlands International possui orientações específicas sobre a inclusão de manguezais nas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas).

Iniciativas globais como o Mangrove Breakthrough, o Freshwater Challenge e o futuro Peatland Breakthrough oferecem caminhos importantes para que países fortaleçam ações voltadas às áreas úmidas. 

Esses compromissos ajudam a direcionar investimentos para soluções climáticas baseadas na natureza e a reduzir subsídios que contribuem para a degradação ambiental. 

Empresas: O setor privado está entre os principais vetores de degradação de áreas úmidas, especialmente em setores como agricultura, mineração, dragagem, monoculturas de palma e grandes obras de infraestrutura. 

Ao mesmo tempo, as empresas têm capacidade de liderar transformações positivas. Nosso objetivo é contribuir para uma economia positiva para as áreas úmidas, substituindo práticas convencionais por modelos mais sustentáveis

Financiadores: Os recursos necessários para restaurar e conservar ecossistemas em larga escala precisam contar com forte participação do setor privado, especialmente de instituições com capacidade de investimento de longo prazo, como fundos de pensão e seguradoras.  

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, fazemos um chamado àqueles que têm poder, capacidade e interesse em promover mudanças em grande escala: Vocês estão prontos para agir pelas áreas úmidas #AgoraPeloClima?