Ywy Ipuranguete avança com definição de investimentos para o Território Kadiwéu
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Ações voltadas ao fortalecimento do território, da produção, das brigadas indígenas e da gestão ambiental estão entre as prioridades
O povo Indígena Kadiwéu participou, na primeira semana de agosto, de mais uma etapa de construção do Projeto Ywy Ipuranguete. Depois de apresentar suas necessidades e prioridades ao longo dos encontros realizados em maio, junho e julho, as comunidades analisaram as propostas estruturadas a partir dessas demandas e avançaram na definição dos investimentos que deverão beneficiar o território.
Nas etapas anteriores, os facilitadores ouviram moradores e lideranças, levantaram necessidades, estimaram custos e organizaram as propostas. Agora, os Kadiwéu puderam avaliar o que foi apresentado e indicar quais ações devem seguir para a implementação.
Entre as prioridades definidas estão ações para o fortalecimento do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), enfrentamento às mudanças climáticas, estruturação da Brigada Kadiwéu e apoio às atividades produtivas e ao manejo do território. Também estão previstos equipamentos, ferramentas e estruturas que atendem necessidades identificadas pelas comunidades.
A definição dos investimentos é resultado de um processo que vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos meses. Em vez de apresentar um pacote pronto de ações, o projeto parte das demandas levantadas pelas comunidades e retorna às aldeias para validação e definição, como explica Lilian Pereira, coordenadora do componente Modos de Vida da Wetlands International Brasil e da Mupan – Mulheres e Lideranças pelas Áreas Úmidas.

“O trabalho de facilitação permitiu ouvir as comunidades, compreender suas necessidades e construir, junto com a população, ações que contribuam para ampliar a autonomia, valorizar os conhecimentos tradicionais e fortalecer a governança indígena que já vem sendo trabalhada com eles desde 2018, e assim as decisões foram vinculadas às prioridades estabelecidas pelos próprios Kadiwéu”, comentou Lílian.
Eudes Abicho, cacique da Aldeia Tomázia, que acompanha o projeto desde a etapa de captação, em Brasília, celebra o avanço das ações. “Juntos conseguimos chegar ao que é melhor para o povo Kadiwéu, fazendo com que os recursos cheguem a cada aldeia. Alguns itens, como rádios comunicadores e drones, eram necessidades que já tínhamos e que o projeto vai atender. Isso também vai fortalecer o trabalho das Brigadas Kadiwéu, o que é bom para todo o território.”

Projeto Federal
O Ywy Ipuranguete é coordenado pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI), implementado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e executado pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), sob a facilitação da Wetlands International Brasil e a Mupan, contribuindo para o diálogo com as comunidades.
Ao todo, o recurso de R$ 1,5 milhão destinado ao Território Indígena Kadiwéu está organizado em três componentes: gestão territorial; proteção dos recursos naturais e valorização dos conhecimentos tradicionais; e ações voltadas ao bem-viver das comunidades. Os investimentos contemplam as seis aldeias do território: Alves de Barros, Campina, Córrego do Ouro, São João, Tomázia e Barro Preto.