Representantes da Holanda visitam iniciativas de conservação no Pantanal
Agenda do Programa Corredor Azul reuniu visitas de campo, diálogo com comunidades e parceiros e troca de experiências sobre conservação, restauração ambiental e fortalecimento territorial.
A Wetlands International Brasil e a Mupan – Mulheres e Lideranças pelas Áreas Úmidas receberam, de 18 a 21 de outubro de 2026, representantes da DOB Ecology, para uma agenda de visitas e intercâmbio no Pantanal sul-mato-grossense. A programação incluiu encontros com comunidades, lideranças e parceiros locais, além de visitas a iniciativas de conservação das áreas úmidas, restauração ambiental e fortalecimento territorial desenvolvidas no âmbito do Programa Corredor Azul.
A agenda começou em Campo Grande (MS), na sede das instituições, com uma apresentação sobre a importância estratégica do Pantanal para a conservação da biodiversidade, a manutenção dos serviços ecossistêmicos e o fortalecimento dos povos e comunidades tradicionais. Na ocasião, a equipe da Holanda também conheceu materiais institucionais que registram a trajetória das organizações e os resultados da parceria com a DOB Ecology, iniciada em 2017.

No Território Indígena Kadiwéu, a programação permitiu conhecer iniciativas desenvolvidas pela Mupan e pela Wetlands International Brasil em parceria com as comunidades, com foco no fortalecimento de lideranças e mulheres indígenas, na valorização do artesanato tradicional e na gestão territorial. Entre os destaques estão o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA Ejiwajegi) e o acompanhamento do projeto Ywy Ipuranguete, do Governo Federal.
Durante a visita às aldeias Tomázia e Barro Preto, Marianne Hilders e Birgitte Laarakker participaram de encontros com lideranças indígenas e artesãs, conheceram a produção artesanal e conversaram sobre a atuação das brigadas indígenas na prevenção de incêndios e nas ações de restauração ambiental.

A experiência em campo também permitiu observar aspectos do território e do cotidiano das comunidades que nem sempre são apreendidos por meio de relatórios e documentos. Birgitte Laarakker destacou essa diferença e o papel da cooperação entre as organizações envolvidas no programa:
“Os relatórios não nos dão a percepção real do território, nem suas cores. É um lugar distante, remoto, onde os povos indígenas que vivem no território enfrentam condições relativamente difíceis. A vida não é fácil para eles e, ainda assim, precisam proteger uma área tão grande. Acredito que a Wetlands International tenha atuado como uma espécie de elo entre as organizações participantes, dando a elas a oportunidade de se desenvolver e se tornar parceiras mais fortes em campo”, avaliou Birgitte.
Além do Território Indígena Kadiwéu, a programação incluiu visitas ao Delta do Rio Salobra e à região do Passo do Lontra, nas proximidades do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro. As atividades abordaram diferentes estratégias de conservação e manejo, incluindo a plataforma SIFAU (Sistema de Inteligência do Fogo em Áreas Úmidas), que auxilia na identificação de áreas com indicativos de ocorrência de fogo, e iniciativas relacionadas ao Manejo Integrado do Fogo (MIF) e às boas práticas de manejo no Pantanal.

A agenda também promoveu o diálogo com parceiros técnicos que atuam nessas frentes. Participaram das atividades representantes do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD), coordenado pelo Núcleo de Estudos do Fogo em Áreas Úmidas (NEFAU) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A participação dos parceiros permitiu compartilhar conhecimentos e experiências sobre os desafios da conservação, do manejo do fogo e da sustentabilidade das ações no bioma.
Para Rafaela Nicola, diretora executiva da Wetlands International Brasil e diretora de estratégia, conhecimento e desenvolvimento institucional da Mupan, a visita evidencia a importância de aproximar o conhecimento construído no território dos espaços de cooperação entre organizações. “Quando as comunidades, as equipes técnicas e as organizações parceiras compartilham suas experiências, os resultados do trabalho ganham novas possibilidades de circulação e aplicação. Esse diálogo é importante para reconhecer o conhecimento construído localmente e fortalecer iniciativas de conservação que dependem da continuidade das parcerias”, afirmou Rafaela.
A visita também integrou o acompanhamento dos resultados do Programa Corredor Azul, cujo ciclo atual se encerra em 2027. Ao conhecer as iniciativas em campo e dialogar com comunidades e parceiros, as representantes puderam compartilhar aprendizados e refletir sobre os avanços, os desafios e as perspectivas de continuidade das ações de conservação das áreas úmidas.
Para Áurea Garcia, diretora-geral da Mupan e coordenadora de políticas da Wetlands International Brasil, a cooperação entre organizações internacionais, instituições técnicas e comunidades é importante para ampliar o alcance das iniciativas desenvolvidas no Pantanal. “A continuidade das ações de conservação depende de parcerias construídas a partir das realidades locais, que reconheçam o papel das comunidades e articulem diferentes conhecimentos e capacidades. O intercâmbio também permite refletir sobre como sustentar e ampliar os resultados alcançados ao longo do Programa Corredor Azul”, destacou Áurea.

Ao longo da agenda, as visitas e conversas evidenciaram diferentes dimensões do trabalho desenvolvido no Pantanal: da gestão territorial indígena ao manejo integrado do fogo e à conservação de áreas úmidas. O intercâmbio reforçou a importância da articulação entre comunidades, organizações e parceiros técnicos para dar continuidade às iniciativas e ampliar sua contribuição para a natureza e para as populações que vivem no bioma.
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