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Capacitação sobre uso do SIFAU fortalece prevenção a incêndios no Pantanal e marca lançamento de plano de manejo do fogo 

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Treinamento reuniu produtores, técnicos e pesquisadores em Campo Grande e lançou o Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro 

Em um cenário de crescente preocupação com os incêndios no Pantanal e a aproximação da estação seca, produtores rurais, consultores, técnicos ambientais, gestores públicos e pesquisadores participaram, em Campo Grande (MS), do curso “SIFAU na Prática – Ferramenta de apoio ao manejo e controle do fogo no campo”, que também assistiram a apresentações sobre manejo integrado do fogo, licenciamento ambiental e ações desenvolvidas pelo Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul – a principal entidade representativa do agronegócio no estado), para prevenção de incêndios florestais. 

Sifau – Sistema de Inteligência do Fogo de Áreas Úmidas é uma plataforma gratuita de apoio à prevenção e controle do fogo,  desenvolvida pela Wetlands International Brasil, Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal e Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com apoio do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD), coordenado pelo Núcleo de Estudos do Fogo em Áreas Úmidas (NEFAU) na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), e cooperação do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc). 

A ferramenta reúne dados estratégicos para apoiar a tomada de decisões relacionadas ao manejo integrado do fogo, contribuindo para a prevenção de incêndios, a emissão de autorizações de queima controlada e para a proteção de áreas úmidas, unidades de conservação e propriedades rurais. 

O curso foi ministrado pela coordenadora do LASA/UFRJ, Dra. Renata Libonati, o gerente de Unidades de Conservação do Imasul, Leonardo Tostes, a diretora florestal do Imasul, Hellen Pelissaro e o coordenador Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Bovinocultura de Corte do Senar/MS, Gabriel de Morais Pereira, o que permitiu o aprofundamento sobre a gestão, manejo e combate aos incêndios frente ao preocupante cenário de mudanças climáticas e secas extremas. 

Para a diretora-geral da Mupan e coordenadora de políticas da Wetlands International Brasil, Áurea Garcia, o encontro representou uma oportunidade de aproximar a ferramenta dos diferentes públicos que atuam no território. “Foi um momento importante para que técnicos, proprietários rurais e representantes de organizações da sociedade civil conhecessem melhor e utilizassem o SIFAU na prática. Esperamos que essas iniciativas fortaleçam a gestão para a tomada de decisão para o manejo integrado do fogo em áreas protegidas, unidades de conservação e propriedades rurais”, destacou Áurea. 

Durante a capacitação, os participantes receberam orientações detalhadas sobre o funcionamento da plataforma, desde o cadastro de áreas até a interpretação de dados e indicadores para monitoramento e planejamento das ações de manejo. 

Segundo a coordenadora do LASA/UFRJ, Dra. Renata Libonati, o curso demonstrou que o alcance do SIFAU tem crescido além do público inicialmente previsto. “A expectativa era que o sistema fosse utilizado principalmente por proprietários rurais e pelo Imasul. No entanto, percebemos que diversas outras instituições passaram a adotar a ferramenta, ampliando significativamente sua utilidade e potencial de aplicação”, afirmou. 

O gerente de Unidades de Conservação do Imasul, Leonardo Tostes, ressaltou a importância de aproximar as discussões sobre manejo do fogo dos diferentes setores envolvidos na gestão do território. “É fundamental que produtores, comunidade acadêmica e gestores públicos possam dialogar em torno de um objetivo comum: compreender o fogo e utilizá-lo de forma responsável e estratégica dentro das diretrizes do manejo integrado.” 

Já o consultor técnico do Senar, Clovis Tolentino, destacou a intenção de ampliar o alcance da capacitação para outras regiões do estado. “A proposta é levar esse conteúdo para municípios do interior, permitindo que mais produtores e técnicos conheçam tanto o SIFAU quanto os procedimentos relacionados ao uso controlado do fogo e ao licenciamento ambiental.” 

Para quem atua diretamente no campo, a ferramenta representa uma oportunidade de fortalecer a prevenção. O gerente da Fazenda Fazendinha, Eurico Fernandes, avaliou que o acesso às informações geradas pelo sistema pode contribuir para o planejamento das ações de gestão da propriedade. “O SIFAU fornece informações importantes sobre risco, focos de calor, e condições relacionadas ao uso do fogo. Isso ajuda o produtor a agir de forma preventiva e a se preparar melhor para situações de risco.” 

Na avaliação de Rafaela Nicola, diretora executiva da Wetlands International Brasil e diretora técnico-científica da Mupan, com o uso da plataforma Sifau novas melhorias vão surgir. “O SIFAU foi desenvolvido para apoiar quem está na linha de frente da prevenção e do manejo do fogo. Quanto mais a ferramenta for utilizada, mais informações teremos para aperfeiçoá-la e torná-la cada vez mais eficiente na tomada de decisões e na proteção do Pantanal”, destacou Rafaela Nicola. 

Lançamento do Plano de Manejo Integrado do Fogo 

A ação também foi marcada pelo lançamento do Plano de Manejo Integrado do Fogo do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro (PMIF/PEPRN), que estabelece diretrizes para prevenção, monitoramento e resposta a incêndios no parque. Contudo, servindo de modelo a ser adaptado a outros imóveis rurais, sejam de gestão pública, sejam de domínio privado. 

O PMIF/PEPRN integra ações do projeto Consolidação do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro (PEPRN), que é apoiado pelo Projeto GEF Terrestre e pela DoB Ecology. O documento foi elaborado pelo Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD) coordenado pelo Núcleo de Estudos do Fogo em Áreas Úmidas (NEFAU) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Mupan, Wetlands International Brasil, Instituto Terra Brasilis, Imasul, Corpo de Bombeiros do MS, PrevFogo/Ibama e Lasa/UFRJ. 

O documento reconhece o papel ecológico do fogo na dinâmica natural do Pantanal, ao mesmo tempo em que propõe estratégias adaptativas diante da intensificação de eventos extremos observados nos últimos anos. Alinhado ao Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo de Mato Grosso do Sul e à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, o plano combina conhecimento científico, experiência técnica e saberes locais de manejo da pastagem para fortalecer a gestão do território. 

Segundo o professor Geraldo Alves Damasceno Júnior, coordenador do PELD/NEFAU da UFMS, a construção do PMIF/PEPRN é resultado de mais de uma década de estudos sobre a dinâmica do fogo no Pantanal, intensificados após os grandes incêndios registrados nos últimos anos. 

“O desafio foi transformar o conhecimento científico em uma estratégia prática para uma área protegida. Elaboramos esse trabalho a partir de pesquisas desenvolvidas por professores, mestrandos e doutorandos de diferentes áreas, buscando compreender como o fogo se comporta no Pantanal, quais condições favorecem sua propagação e de que forma ele pode ser manejado de maneira segura e eficiente”, destacou. 

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