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Carta entregue ao presidente da COP15 CMS reforça urgência na proteção do Pantanal

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Campo Grande (MS) — Neste sábado (28), durante a realização da COP15 da Convenção sobre espécies Migratórias, em Campo Grande, representantes da sociedade civil e da comunidade científica entregaram uma carta ao presidente da Conferência e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Ribeiro Capobianco, com um apelo urgente pela implementação de políticas públicas voltadas à conservação do Pantanal.

O documento solicita que o governo brasileiro avance, em curto prazo, na efetivação do Plano de Recursos Hídricos da Região Hidrográfica do Paraguai. Considerado estratégico para a proteção do bioma, o plano é apontado como instrumento essencial para conter a expansão de empreendimentos hidrelétricos na bacia do Alto Paraguai, onde ainda há previsão de 133 novas usinas previstas no bioma.

A carta é resultado de um esforço coletivo que reúne organizações socioambientais, pesquisadores e representantes de instituições públicas, com base em estudos técnicos consolidados. Entre eles, destaca-se um levantamento coordenado pela Embrapa Pantanal, com participação de mais de 80 especialistas, que resultou na definição de áreas onde a instalação de barragens deve ser evitada para preservar o equilíbrio ecológico da região.

Segundo os signatários, a implementação do plano é fundamental para garantir a manutenção dos fluxos hidrológicos, a conservação da biodiversidade e a proteção de espécies migratórias, além de assegurar os modos de vida das comunidades locais que dependem diretamente dos recursos naturais do Pantanal.

O documento, que ainda está aberto para receber contribuições, está disponível neste link, também reforça a necessidade de manter o trecho norte do rio Paraguai — entre Cáceres (MT) e Corumbá (MS) — como área de restrição para navegação de grande porte, devido à sua alta sensibilidade ambiental e relevância socioecológica.

A entrega da carta ocorre em um momento estratégico, em que lideranças globais, pesquisadores e representantes de governos estão reunidos para discutir caminhos de conservação das espécies migratórias e dos ecossistemas que sustentam sua sobrevivência.

A carta foi entregue pela oficial técnica das instituições Wetlands International Brasil e Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal, Ana Carla Albuquerque.

Para os autores, mais do que recomendações, o momento exige decisões concretas que garantam a proteção efetiva do Pantanal, um dos biomas mais ricos e sensíveis do planeta.