Godidiko estreia no Festival de Inverno de Bonito com produtos de artistas Kadiwéu
Marca reúne cerâmica e outros produtos produzidos no Território Indígena Kadiwéu e abre novas possibilidades de circulação e comercialização
Do barro moldado pelas mãos das artesãs aos grafismos que carregam a identidade de um povo, a produção Kadiwéu ganha um novo capítulo com o lançamento da Godidiko. A marca reúne peças de cerâmica, camisetas e bags com grafismos tradicionais e será apresentada ao público durante o Festival de Inverno de Bonito, ampliando as possibilidades de circulação e comercialização das artes produzidas no Território Indígena Kadiwéu.
O lançamento acontece no dia 28 de agosto, às 19h, no Espaço de Economia Criativa, onde cerca de seis artistas Kadiwéu apresentarão parte do catálogo desenvolvido ao longo do projeto. Durante todo o Festival, de 26 a 30 de agosto, as artistas também estarão no espaço expondo e comercializando suas peças.
A Godidiko representa o resultado de um processo construído ao longo de 2026 para preparar as artesãs para novos espaços de comercialização e ampliar o alcance de sua produção.
Ao longo de 8 meses, as comunidades participaram de ações de Qualificação Produtiva, Design Estratégico e Acesso ao Mercado, com capacitações voltadas ao aperfeiçoamento da produção, à apresentação das peças e à organização dos produtos para ampliar as possibilidades de acesso a diferentes mercados.
A iniciativa é desenvolvida pela Wetlands International Brasil e pela Mupan – Mulheres e Lideranças pelas Áreas Úmidas, organizações que atuam junto ao povo Kadiwéu desde 2015. Desde 2017, esse trabalho também integra ações do Programa Corredor Azul. O trabalho busca fortalecer a produção artesanal a partir das demandas apresentadas pelas próprias artistas, criando condições para que os produtos possam alcançar novos mercados sem perder sua identidade e seus conhecimentos tradicionais.
União entre as artistas
Nesse processo, a união entre as artistas também ganhou importância. A proposta é fortalecer uma produção coletiva, capaz de atender novas oportunidades e, ao mesmo tempo, valorizar a autoria e os conhecimentos de cada artista.
Para Madalena, da Aldeia Tomázia, as capacitações contribuíram para ampliar e fortalecer sua produção. Hoje, ela comemora poder produzir diferentes peças de cerâmica e reconhece a importância das pessoas que contribuíram para esse processo. “Eu só tenho a agradecer aos nossos caciques, líderes e aos professores que nos ensinaram.”
Para Elenilda, da Aldeia Tomázia, a participação no Festival representa também um momento de representatividade. “Pela primeira vez vou sair para representar a comunidade em um espaço como esse. É uma honra representar as mulheres ceramistas.”

A participação no Festival de Inverno de Bonito marca, assim, uma etapa importante dessa trajetória: levar a produção Kadiwéu para além das aldeias e aproximá-la de novos públicos, compradores e possibilidades de mercado.
Localizado no município de Porto Murtinho, o Território Indígena Kadiwéu possui cerca de 538 mil hectares e reúne um patrimônio cultural marcado por conhecimentos tradicionais, grafismos e uma produção cerâmica reconhecida por sua singularidade.
A construção do plano de qualificação também está relacionada às demandas apresentadas pelas próprias artistas durante a elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), que apontou a necessidade de fortalecer a produção e criar novas oportunidades de comercialização.
Durante todo o Festival de Inverno de Bonito, de 26 a 30 de agosto, o público poderá conhecer de perto o trabalho das artistas Kadiwéu, conhecer o catálogo da Godidiko e adquirir as peças produzidas no território.
