Mulheres indígenas celebram a cultura em oficina de cerâmica em aldeias do Território Kadiwéu
Cerca de 90 indígenas do povo Kadiwéu participaram, na última semana, de oficina técnica de cerâmica realizada nas aldeias Tomázia e Alves de Barros, no Território Indígena, em Mato Grosso do Sul. A atividade marcou o início da implementação do Plano de Qualificação Produtiva, Design Estratégico, e Acesso a Mercado para o artesanato do território, previsto no Programa Corredor Azul desenvolvido pela Wetlands International Brasil e da Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal.

Durante o curso, as participantes trocaram conhecimento e aprimoraram técnicas de desenho, pintura e queima da cerâmica, etapas essenciais para a produção das peças tradicionais do povo Kadiwéu. A oficina reuniu principalmente artesãs das comunidades e buscou fortalecer tanto a qualidade da produção quanto a transmissão de saberes tradicionais entre gerações.
A oficina integra um processo mais amplo de fortalecimento da produção artesanal no território. O plano prevê ações de melhoria técnica, organização do portfólio de produtos, desenvolvimento de marca territorial e ampliação do acesso a mercados para as artesãs.

Para Lilian Pereira, coordenadora do componente Modos de Vida, da Wetlands International Brasil e Mupan, a iniciativa contribui para fortalecer a cultura e a autonomia econômica das comunidades. “O artesanato Kadiwéu carrega identidade, história e conhecimento ancestral. Iniciativas como essa ajudam a valorizar essa produção e a criar oportunidades para que as comunidades ampliem sua presença no mercado, mantendo vivas suas tradições”, afirma.
O cacique da Aldeia Tomázia, Eudes de Souza, destaca a importância da iniciativa para a comunidade. “A cerâmica faz parte da nossa origem como povo Kadiwéu. Vamos conseguir apresentar nossas peças, participar de exposições e realizar o sonho das mulheres de produzir, vender e viver do próprio artesanato. Isso também fortalece a economia da comunidade. Temos muito a agradecer à Wetlands e à Mupan”, afirma.

Responsáveis pela condução da oficina, as artesãs Creuza e Ivanir ressaltam o papel da transmissão de saberes. “É muito importante manter a nossa tradição. Ao ensinar, também aperfeiçoamos o nosso trabalho. Aprendi com as gerações anteriores e agora posso passar esse conhecimento adiante”, destaca Ivanir de Almeida.
Território Indígena Kadiwéu
O Território Indígena Kadiwéu reúne cerca de 1.400 pessoas distribuídas em seis aldeias — Alves de Barros, Campina, Córrego do Ouro, Tomázia, São João e Barro Preto. O artesanato tem papel central na cultura e na economia local, com destaque para a cerâmica e cestaria.
A oficina é a primeira de uma série de atividades previstas para os próximos meses em diferentes aldeias do território, com foco na qualificação da produção e no fortalecimento do artesanato Kadiwéu como expressão cultural e fonte de renda para as comunidades.
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