Wetlands International Brasil participa de debate global sobre financiamento para biodiversidade
A diretora da Wetlands International Brasil e diretora técnico-científica da Mupan, Rafaela Nicola, participou nesta terça-feira (17) do webinar internacional Estratégias de doação de alto impacto para reduzir a perda de biodiversidade (High-Impact Giving Strategies for Reducing Biodiversity Loss), promovido pela Giving Green.
O encontro reuniu especialistas e lideranças globais para discutir estratégias de alto impacto voltadas à redução da perda de biodiversidade, com foco em como o financiamento filantrópico pode ser direcionado de forma mais eficiente.

Rafaela representou a Wetlands International no painel sobre biodiversidade terrestre e de água doce, ao lado de organizações reconhecidas internacionalmente, contribuindo com a experiência da instituição na conservação de áreas úmidas e no enfrentamento das causas estruturais da perda de biodiversidade.
A participação reforça o reconhecimento da Wetlands International como uma das organizações de maior impacto global na agenda de biodiversidade, conforme apontado em relatório recente da própria Giving Green. O estudo destaca a conservação de áreas úmidas como uma das estratégias mais eficazes para enfrentar simultaneamente a crise climática e a perda de biodiversidade, evidenciando o papel dessas áreas na regulação do clima, na segurança hídrica e no sustento de milhões de pessoas em todo o mundo.
Além disso, o reconhecimento chama atenção para a necessidade de ampliar o financiamento para a conservação de áreas úmidas, consideradas ecossistemas altamente produtivos, porém historicamente subvalorizados e subfinanciados, apesar de sua importância para o equilíbrio ambiental global.
Durante o webinar, Rafaela destacou a urgência de ampliar a atenção sobre esses ecossistemas. “As áreas úmidas estão desaparecendo em uma velocidade muito maior do que as florestas. E, ao mesmo tempo, concentram grande parte dos serviços essenciais para a vida e para o sustento das pessoas e da natureza. Cerca de 40% das espécies do planeta dependem, em algum momento do seu ciclo de vida, dessas áreas — e isso ainda é, em grande parte, negligenciado.”
A diretora também ressaltou os desafios e caminhos para atuação como a utilização da ferramenta SIFAU – Sistema de Inteligência do Fogo em Áreas Úmidas. “Quando pensamos em intervenções de curto e longo prazo, pode parecer desafiador agir no presente. Por isso, trabalhamos diretamente com comunidades locais, governos e pesquisadores para entender como áreas úmidas como o Pantanal estão respondendo às mudanças. Também analisamos o comportamento dos incêndios e das mudanças climáticas, criando, em conjunto com parceiros, sistemas de monitoramento que apoiam decisões e ações no território.”
O debate destacou a importância de soluções sistêmicas, capazes de conectar conservação ambiental, políticas públicas e financiamento estratégico, especialmente em ecossistemas-chave como o Pantanal.