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Projeto federal inicia ações no Território Kadiwéu com lideranças indígenas 

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Reunião em Bodoquena marca início das atividades do Ywy Ipuranguete com foco na conservação e no fortalecimento territorial  

Lideranças indígenas do Território Kadiwéu participaram na segunda-feira (27) da reunião de apresentação e alinhamento do projeto Ywy Ipuranguete – Conservação da Biodiversidade em Terras Indígenas, realizada no município de Bodoquena (MS). O encontro reuniu representantes das comunidades e instituições parceiras envolvidas na iniciativa. 

Coordenado pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o projeto é implementado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e executado pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e com os facilitadores Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal e Wetlands International Brasil. 

Durante a reunião, foram apresentados os objetivos do projeto, o cronograma das oficinas que serão realizadas ao longo da semana nas aldeias do território e as estratégias de atuação voltadas à construção participativa das ações. O momento também foi dedicado à escuta das lideranças, permitindo o alinhamento das principais demandas das comunidades.  

O processo de construção dessas ações dialoga com uma trajetória já consolidada no território. Desde 2018, o povo Kadiwéu vem desenvolvendo, com apoio da Wetlands International Brasil e da Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal, o chamado Plano de Vida Kadiwéu (link), cuja primeira edição foi publicada em 2019 e atualizada em 2022.  

Em 2025, a partir de um novo ciclo de oficinas participativas conduzidas pelas instituições no território, o documento passou a ser estruturado como o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) Ejiwajegi, fortalecendo a governança indígena e orientando, de forma estratégica, as ações de proteção, uso sustentável e gestão do território. 

Para a Diretora Geral da Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal e coordenadora de políticas da Wetlands International Brasil, Áurea Garcia, reforçou a história das instituições no Território. “Este momento representa mais um passo em um processo que vem sendo construído desde o início do PGTA e agora se fortalece com o projeto Ywy Ipuranguete. A Mupan atua no território há mais de 10 anos e foi convidada para facilitar essa ação, que está em construção desde 2018 com o Programa Corredor Azul. E hoje nosso papel é facilitar os processos, fortalecer parcerias a partir das demandas das comunidades e apoiar essa construção coletiva”, finalizou. 

Cacique da Alves de Barros, Ciriaco Ferraz lembra a história de luta e defesa pela terra Kadiwéu. “Estamos há 22 anos à frente dessa luta e quero agradecer a todos que caminham conosco. A nossa esperança é buscar melhorias para a comunidade, e nunca tivemos acesso a esse tipo de recurso, e como nosso território é grande cada aldeia merece esse apoio. Temos uma história antiga de luta pela nossa terra, somos guerreiros. Agora é momento de levantar a cabeça, fortalecer a união entre os caciques e seguir ouvindo a comunidade para avançarmos juntos”, comentou. 

A ação marcou o início das atividades do projeto no Território Indígena Kadiwéu que recebeu até o dia 3 de maio as primeiras oficinas em cinco aldeias, com o objetivo de promover o diálogo direto com as comunidades e construir, de forma conjunta, as ações que irão orientar o projeto nos próximos anos.  
 
O Diretor de Gestão Ambiental, Territorial e Promoção ao Bem Viver Indígena do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Bruno Potiguara destacou a atuação do MPI na busca por recursos. “É sempre importante vir ao território e concretizar um projeto que vem sendo construído ao longo desta gestão do MPI. O Ywy Ipuranguete é uma iniciativa de cooperação internacional que vai beneficiar 15 terras indígenas em todo o Brasil. Nosso objetivo é ouvir as comunidades e garantir que os recursos sejam aplicados de acordo com as demandas de cada território, e além desse o ministério tem buscado fortalecer parcerias para ampliar todo atendimento”, explicou. 

O projeto Ywy Ipuranguete — que em tupi significa “terra bonita” — reconhece o papel estratégico dos povos indígenas na conservação ambiental. A proposta que conta com recurso de R$ 1.500.00 destinado ao Território Indígena Kadiwéu segue até 2030 e busca fortalecer a gestão territorial, apoiar a proteção dos recursos naturais e valorizar os conhecimentos tradicionais, contribuindo para o bem-viver das comunidades. 
 
Ney Maciel, Analista Socioambiental e antropólogo do IEB explicou as linhas do projeto e a autuação do IEB. “O IEB atua como parceiro na execução do projeto, apoiando o Ministério dos Povos Indígenas. Trabalhamos há muitos anos com a construção participativa de projetos ambientais, especialmente na elaboração e implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental. Nosso papel aqui é contribuir com a execução das ações, apresentando o cronograma, os objetivos e as estratégias voltadas à conservação da biodiversidade nas terras indígenas.” 

Abrangência 

Com abrangência nacional, a iniciativa contempla 15 terras indígenas em cinco biomas brasileiros — Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga e Pantanal — somando mais de 6 milhões de hectares e beneficiando aproximadamente 57 mil pessoas. 

Dioni Alcântara Batista, coordenador da Funai MS abordou a importância de trabalhar em conjunto. “Estamos juntos neste momento dialogando sobre o projeto com o povo Kadiwéu. Temos avançado em diversas tratativas para fortalecer cada vez mais as comunidades e as aldeias. Acreditamos que, com o apoio do MPI, essas iniciativas vão avançar. Este é um recurso importante, e é uma conquista para o povo Kadiwéu.” 

Entre as principais ações previstas está a implementação dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), instrumentos que orientam o planejamento e a execução de estratégias de proteção, conservação e uso sustentável dos recursos naturais nas terras indígenas. 

As primeiras oficinas ocorreram nas aldeias Alves de Barros, Campina, Córrego do Ouro, Tomázia e Barro Preto. 

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