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Wetlands International e Mupan  encerram participação na COP30 com  importantes  agendas  de discussão nas temáticas  água, fogo, Pantanal e territórios tradicionais 

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Delegação de 13 integrantes da Wetlands International, Mupan e Instituto BiomaBrasil encerraram a participação na COP30 com importantes agendas de discussão de alto nível nas temáticas água, fogo, territórios transfronteiriços e tradicionais no Pantanal, nas áreas úmidas de altitude, nos manguezais.

Durante a COP30, em Belém (PA), a Wetlands International marcou presença com uma ampla delegação composta por integrantes de sua rede global, do escritório regional da América Latina e do escritório Brasil, atuando de forma coordenada em agendas estratégicas para as áreas úmidas, água, fogo, clima e territórios tradicionais. 

A participação da rede global priorizou cinco objetivos centrais: posicionar as áreas úmidas como soluções climáticas essenciais; fortalecer o papel dos pântanos, manguezais, áreas úmidas altoandinas e ecossistemas costeiros na adaptação e mitigação climática; impulsionar as iniciativas globais Freshwater Challenge, Mangrove Breakthrough e Peatlands Breakthrough; além de ampliar sua incidência em políticas públicas e financiamento climático. 

Destaques da participação global na COP30 

Entre os principais destaques da Wetlands International ao longo da conferência, estiveram: 

  • A presença do CEO global, Coenraad Krijger, representando oficialmente o Freshwater Challenge em eventos de alto nível e reuniões ministeriais; 
  • A atuação de especialistas globais e regionais em painéis sobre adaptação climática, soluções baseadas na natureza, manguezais, áreas úmidas altoandinas e financiamento azul; 
  • A consolidação de alianças estratégicas em torno das três iniciativas globais: Freshwater Challenge, Mangrove BreakthroughPeatlands Breakthrough

A Wetlands International Brasil e a Mupan marcaram presença em painéis oficiais, eventos paralelos, reuniões bilaterais e lançamentos estratégicos, reforçando sua atuação na conservação das áreas úmidas, na prevenção de incêndios, na segurança hídrica e no fortalecimento dos territórios de povos indígenas e comunidades tradicionais. 

A delegação contou com a participação de Áurea Garcia, diretora geral da Mupan e coordenadora de políticas da Wetlands International Brasil, Rafaela Nicola, diretora executiva da Wetlands International Brasil e diretora técnico-científica da Mupan, Letícia Larcher, gestora de projetos, Edmundo Dantez, oficial técnico, além de parceiros institucionais, como Yara Schaeffer-Novelli, cofundadora do Instituto BiomaBrasil. 

Segurança hídrica e gestão integrada da água 

Logo no início da COP, Áurea Garcia participou, ao lado de Gastón Fulquet, coordenador regional do Programa Corredor Azul da Fundación Humedales/Wetlands International América Latina, do painel “Desafios da escassez hídrica e a integração da variável climática no Índice de Segurança Hídrica”, no Pavilhão Brasil, na Zona Azul. 

O debate reuniu representantes governamentais e especialistas para discutir os impactos das mudanças climáticas no ciclo hidrológico e caminhos para indicadores mais sensíveis às realidades climáticas e territoriais. 

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Na ocasião, a equipe também entregou a autoridades exemplares da publicação Áreas úmidas fluviais da Bacia do Prata e mudanças climáticas: aliados essenciais para a adaptação e mitigação, reforçando o papel das áreas úmidas como infraestruturas naturais essenciais para a resiliência hídrica. 

Pantanal em destaque: clima, desenvolvimento e territórios 

O Pantanal esteve no centro de diversas agendas ao longo da COP30. No dia 13/11, Rafaela Nicola e Áurea Garcia acompanharam a apresentação “Mato Grosso do Sul Carbono Neutro 2030: segurança alimentar, transição energética e inclusão social”, do governador Eduardo Riedel, e participaram de diálogo com ele e com Jaime Verruck, secretário de Estado de Mato Grosso do Sul. 

A apresentação destacou o papel do turismo sustentável em Bonito e no Pantanal como vetor de desenvolvimento aliado à conservação, tema diretamente conectado às agendas da Mupan e da Wetlands International Brasil, especialmente no campo do turismo e da pecuária sustentável no bioma. 

Prevenção de incêndios e o Chamado à Ação sobre Manejo Integrado do Fogo 

A temática do fogo teve papel central na COP30, especialmente após o lançamento do Chamado à Ação sobre Manejo Integrado do Fogo e Resiliência a Incêndios Florestais, endossado por mais de 40 países, que reconhece os incêndios como uma das maiores ameaças atuais às florestas tropicais e convoca a uma transição de respostas reativas para estratégias integradas, preventivas e colaborativas. 

A Wetlands International Brasil e a Mupan participaram, no dia 17/11, do painel “Ação coletiva para a prevenção de incêndios florestais na Amazônia”, realizado em parceria com a Tropenbos International, reunindo organizações da sociedade civil, lideranças indígenas e especialistas para discutir estratégias colaborativas de prevenção de incêndios na Amazônia. 

Na ocasião, Rafaela Nicola apresentou o SIFAU – Sistema de Inteligência do Fogo em Áreas Úmidas, plataforma aberta desenvolvida para apoiar governos, tomadores de decisão e comunidades tradicionais na prevenção e resposta aos incêndios, integrando dados, alertas e análises.  

Já no dia 18/11 a Wetlands International Brasil e a Mupan coorganizaram junto à Tropenbos International e outros parceiros, o evento: “Prevenção de Incêndios Florestais Tropicais: liderança local, ambição nacional e financiamento para paisagens resilientes ao fogo”. 

O evento foi concebido como espaço de diálogo e fortalecimento do próprio Chamado à Ação, abordando temas diretamente relacionados à agenda do Manejo Integrado do Fogo (MIF), como: 

  • liderança local e protagonismo de povos indígenas e comunidades tradicionais; 
  • articulação entre ciência, políticas públicas e saberes tradicionais; 
  • financiamento voltado à prevenção e resiliência frente aos incêndios. 

Durante o evento, foi reforçado o convite para que organizações, governos e instituições presentes aderissem formalmente ao Chamado à Ação, ampliando sua base de apoio e implementação. 

Lançamentos estratégicos: soluções para água, fogo e manguezais 

A COP30 também foi marcada por importantes lançamentos liderados pela Wetlands International Brasil e pela Mupan: 

Restauração no Pantanal 

Foi lançado o conjunto de publicações e vídeos Referencial Teórico, Indicadores e Monitoramento de Restauração no Pantanal, composto por três publicações técnicas e dois vídeocasts, voltados ao fortalecimento de iniciativas de restauração no bioma. 

O material foi desenvolvido em parceria com DoB Ecology, INAU e UFMT, no âmbito do projeto GEF Terrestre, coordenado pelo MMA, com apoio do Funbio. 

O lançamento aconteceu graças ao espaço cedido pela iniciativa Freshwater Challenge, a convite de Paula Martinelli, diretora global de defesa da água da Wetlands International, durante sua agenda no pavilhão do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.  

Manguezais no Brasil 

Também foi lançado o estudo Assessment of the Current Status of Mangroves in Brazil, produzido pelo Instituto BiomaBrasil, Mupan e Wetlands International Brasil, com apoio do escritório global da Wetlands International. 

O lançamento ocorreu durante o painel “Manguezais e Governança Inovadora” e contou com a participação e contribuição de Yara Schaeffer-Novelli, referência internacional na agenda de manguezais e políticas públicas ambientais, bem como representantes do governo e da sociedade civil. O lançamento representou um passo significativo para a Wetlands International Brasil na consolidação de sua estratégia de atuação em manguezais no país. 

Territórios de vida, arte e resistência 

Embora o Guia TICCA Brasil – Territórios e Áreas Conservadas por Povos Indígenas e Comunidades Locais já estivesse disponível antes da COP30, a Mupan participou de sua apresentação e fortalecimento institucional no dia 17/11, durante atividade na Casa da COP do Povo.

No evento, Áurea Garcia compartilhou o papel da Mupan como ponto focal TICCA no Brasil e convidou Eudes Abicho, liderança e brigadista Kadiwéu, para apresentar o Plano de Vida (PGTA) do povo Kadiwéu

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No mesmo espaço, ocorria a exposição Cinzas da Floresta, dialogando com a trajetória da mostra Cinzas do Pantanal, lançada anteriormente no Congresso Nacional e na delegação da União Europeia, da qual a Mupan e a Wetlands International Brasil foram parceiras. 

Articulações internacionais e fortalecimento de parcerias 

A participação da Wetlands International Brasil e da Mupan também foi marcada por encontros com membros da rede global da Wetlands International, incluindo Coenraad Krijger, CEO da Wetlands International, Paula Martinelli, diretora global de defesa da água da Wetlands International e Coordenadora da Iniciativa Freshwater Challenge, Cinthia Soto, oficial sênior de incidência da Wetlands International, Pieter van Eijk, chefe do Programa de Deltas e Costas da Wetlands International, e Román Baigún, coordenador do Programa de Conservação das e  Áreas Úmidas Altas Andinas do escritório Wetlands International LAC.  

Além disso, foram fortalecidas parcerias com instituições como The Pew Charitable Trusts, Fundação Avina, Gaia Social, Iniciativa BASE, Embrapa e organizações da Global Mangrove Alliance, além de diálogos com representantes do governo brasileiro, como Rita Mesquita, secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA. 

Um legado para além da COP30 

Ao final da conferência, a Wetlands International, por meio de sua rede global e do escritório Brasil, junto à Mupan, reforçou seu compromisso com a continuidade das agendas fortalecidas em Belém: segurança hídrica, conservação do Pantanal, proteção dos manguezais, manejo integrado do fogo e fortalecimento dos territórios de vida. 

Mais do que presença institucional, a atuação ao longo da COP30 representou a consolidação de alianças, o fortalecimento do diálogo internacional e a aposta em soluções baseadas na natureza, nos territórios e nas comunidades.