Wetlands International parabeniza ação do fórum Suape em manifesto pela reabertura do rio Tatuoca

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Há 14 anos o rio Tatuoca, localizado no litoral sul de Pernambuco, sofre com as ações de empresa pública para dar lugar a uma estrada provisória de acesso ao estaleiro Atlântico Sul

Aconteceu na segunda-feira (26), às 13h, na comunidade quilombola de Ilha de Mercês, em Ipojuca, o lançamento da Campanha RIO LIVRES, MANGUES VIVOS. A Campanha é uma ação de comunicação que visa chamar a atenção da população e das instituições a respeito dos processos de degradação por que passam os manguezais e as populações que deles dependem, tendo como mote inicial o caso do Rio Tatuoca, que banha o território da comunidade quilombola de Ilha de Mercês, em Ipojuca (PE).

A Wetlands International enquanto organização não governamental sem fins lucrativos que cuida e busca ações de proteção e sustentabilidade das áreas úmidas se solidariza e parabeniza o trabalho realizado pela Campanha Rios Livres, Mangues Vivos, uma iniciativa do Fórum Suape – Espaço Socioambiental em parceria com a comunidade quilombola Ilha de Mercês e com o Caranguejo Uçá – que visa denunciar os danos socioambientais decorrentes da degradação dos rios e manguezais, tomando como mote o caso do Rio Tatuoca.

A campanha tem como objetivo exaltar a importância dos ecossistemas estuarinos (ambiente aquático de transição entre um rio e o mar) tanto para o meio ambiente quanto para as comunidades da pesca artesanal, e visa denunciar as ações danosas contra eles e cobrar as devidas providências das autoridades competentes.

Entenda a história

Há 14 anos existe um rio estrangulado e um manguezal em consequente e gradual morte em Ipojuca, no litoral sul de Pernambuco. Trata-se do Rio Tatuoca, que foi bloqueado pela empresa pública SUAPE, em 2007, para dar lugar a uma estrada provisória de acesso ao estaleiro Atlântico Sul.

A construção de um bloqueio no rio, que serviu como premissa para ser algo provisório e previsto para ser retirado no período de um ano e meio, acabou por permanecer até os dias atuais, o que afetou de forma permanente a conexão do manguezal com o mar.

O principal mecanismo de penetração das águas salinas nos manguezais ocorre principalmente pelas marés. A água salobra – resultante do equilíbrio entre a água salgada do mar e a água doce do rio, bem como as raízes das árvores de mangue – cria o ambiente ideal para a reprodução e o desenvolvimento de inúmeras espécies de animais. Não à toa que o manguezal é considerado o “berçário” da vida aquática e, por isso mesmo, essencial à pesca artesanal.

Com relação ao manguezal e a preocupação com a sua preservação em uma atenção global, a Wetlands International publicou recentemente um novo relatório (The State of the World’s Mangroves – “O estado dos manguezais no mundo) onde mostra a desaceleração nas perdas de manguezais, fornecendo uma nova chance para uma ação internacional para proteger as florestas costeiras de maneira emergencial. O documento você pode acessar clicando aqui.

Com o barramento que cortou a ligação natural entre o Rio Tatuoca e o mar, a vazão natural das marés foi impedida, ocasionando em um forte desequilíbrio do ecossistema. Isso ocasionou a morte de árvores de mangue e de inúmeras espécies de peixes, moluscos e crustáceos que dependem do fluxo e refluxo natural das marés para sobreviver.

O Rio Tatuoca e o mangue que o circunda garantem não apenas a segurança e a soberania alimentar, como também a perpetuação dos modos de vida tradicionais e da identidade coletiva das comunidades pesqueiras que dele sobrevivem. Em especial, se destaca a comunidade quilombola de Ilha de Mercês, cujo território é banhado pelo Rio Tatuoca.

Denúncias acerca do grave dano socioambiental são feitas à agência estadual de meio ambiente – CPRH – e ao Ministério Público Federal desde 2007. A própria CPRH, em Nota Técnica emitida em dezembro de 2007, logo após as denúncias, constatou os graves danos ao mangue decorrentes da obra. Ainda assim, o bloqueio foi mantido – irregularmente – até hoje.

As comunidades pesqueiras são as principais atingidas pelos danos ambientais decorrentes desse barramento. Nesse aspecto, evidencia-se o racismo ambiental e institucional que atravessa o caso, na medida em que a escolha do local para a intervenção recaiu sobre uma região sabidamente habitada e utilizada há gerações por comunidades negras, fazendo-as suportar diretamente os efeitos da degradação ambiental resultante, sem que sequer tivessem sido consultadas previamente ou compensadas por eles.

É nesse sentido que foi no dia 26 de julho que o Fórum Suape somaou às manifestações do dia Internacional da Mulher Negra Caribenha e Latinoamericana, do dia Nacional de Tereza de Benguela – líder quilombola -, e do dia de Nanã Burukê – a orixá guardiã dos manguezais nas religiões de matriz africana – para reivindicar justiça socioambiental e a reabertura total do Rio Tatuoca.

A campanha tem também apoio das organizações Both ENDS e Fundo Casa Socioambiental.

Mais informações:
Mariana Vidal – Coordenação do Fórum Suape Espaço Socioambiental: (81) 99874-2062
Rafael Negrão – Assessoria de Comunicação: (81) 99511-1987